Cooperativa cria primeiro projeto de reflorestamento no ES e aposta no manejo florestal e na rentabilidade a longo prazo

Por Matheus Zardini

Rotineiramente, o meio ambiente está em pauta quando o assunto é sustentabilidade. Ela está ligada ao uso consciente dos recursos naturais como a água e as florestas. Porém, o desmatamento da mata atlântica sempre fez parte dos incontáveis casos de crimes ambientais praticados no país.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, em 2016, foram desmatados 6.624 km², da Amazônia, composta pelos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Esse número equivale a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Conforme os dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituído Nacional de Pesquisas Espaciais (INEPE). O Espirito Santo, em 2016, teve o crescimento de 116% do desmatamento em relação ao ano anterior, com 330 hectares.

Mas pensando nisso e com o objetivo de fazer com que as pessoas invistam em árvores, a Corporativa de Trabalho e Tecnologia (Copttec) desenvolveu o primeiro programa de reflorestamento capixaba, para que pessoas físicas e jurídicas possam investir na sua “aposentadoria verde”.

O projeto consiste na criação de condomínios de árvores em que o investidor poderá comprar pacotes que variam de 10 a 500 mudas que serão plantadas. O primeiro condomínio ficará no município de Cariacica, intitulado de Cariacica I, que possui uma área equivalente a 10.000 m² e terá cerca de 1.600 espécies nativas de árvores.
O doutor em Ciência Florestal Luiz Fernando Schettino explica que o plantio de árvores gera diferentes tipos de contribuições para o meio ambiente. “Retiram CO² do ar, servem alimentos para várias espécies, ajudam no equilíbrio ecológico e na regulação do clima. Ainda fornecem madeiras, fibras e combustível. Além de proteger os solos, auxiliam na manutenção do funcionamento e proteção dos recursos hídricos, entre muitos outros papéis que cumprem”, explicou.

Desta forma, a contratação do pacote para a plantação das árvores está atrelada a manutenção que é de responsabilidade da cooperativa. Após a venda das madeiras, o investidor recebe uma porcentagem no valor que foi comercializada no mercado.

De acordo com o Presidente da Coopttec, Welligton Luiz Pompermayer, o foco do projeto é reduzir a pressão sobre florestas nativas. “Ao invés de você investir em uma ação, um carro ou uma casa para poder pensar no futuro na sua aposentadoria, ás pessoas irão investir em árvores, que chamamos de aposentadoria verde”, disse.

Cariacica I , local onde será feito o reflorestamento cooperativo

O tempo de retorno do investimento varia entre 5 e 10 anos. O projeto trabalha apenas com madeira reflorestadas que, durante os 10 anos, vão contribuir com a sustentabilidade.

Pompermayer, ressaltou que o investimento é de risco e que a cooperativa está recalculando para informar ao cliente quanto será o seu ganho

De acordo com a ambientalista Roberta Cordeiro Fassarella, existem diversas políticas públicas que regularizam o plantio e o corte de árvores no país. “No caso do Brasil, há legislações em geral para todo o território, há também legislações específicas para áreas de atuação federal (como por exemplo, os parques nacionais) e há atuação definida em lei para responsabilidade do estado ou dos municípios. Aqui no Espírito Santo, a área florestal é de responsabilidade do IDAF- Instituto de Defesa Agroflorestal, entretanto, este órgão (ligado à secretaria de Estado de Agricultura) deveria dar observância ao que se recomenda em níveis mundial, nacional, estadual e municipais para executar sua política pública de plantio e corte”, argumentou a ambientalista.

Além dos benefícios ao meio ambiente, o projeto irá gerar emprego. Os colaboradores irão receber instruções dos engenheiros da cooperativa.

afirmou o presidente da Copptec.

Todos os plantios feitos pela cooperativa serão regulamentados e registrados no Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (IDAF) e as arvores só serão cortadas quando as madeiras estiverem aptas para a comercialização. O projeto deve ser finalizado até o final deste ano, e entrará em vigor a partir do primeiro semestre de 2018.

A cooperativa
A Cooperativa de Trabalho dos Técnicos Industriais e Tecnológicos do Estado do Espirito Santo (COOPTTEC) foi criada no inicio de em 2001, na época composta por 21 cooperados. Ao passar dos anos, a corporativa ela se tornou referência nas suas áreas de trabalho. Em 2009, devido ao desenvolvimento à Coopttec ampliou seu leque de atuação, sendo denominada de Cooperativa de Trabalho em Tecnologia, Educação e Gestão.

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