Se na abertura da Semana de Comunicação o debate ocorreu com os especialistas na questão do suicídio, no encerramento foi a vez de os alunos conhecerem a opinião de profissionais da área: o jornalista Aglisson Lopes, editor-executivo do Gazeta Online, e a publicitária Elisa Quadros, da Ampla Publicidade.

 “Escrevi o texto em dez minutos; foi um desabafo”

Aglisson Lopes é o autor do texto “Sabe a empatia? Pulou da ponte hoje”, publicado em “A Gazeta” e no “Gazeta Online” que viralizou na internet e é citado como referência de abordagem correta do tema suicídio. Após a apresentação do texto (em vídeo narrado pelo professor Filipe Chicarino), Lopes revelou que escreveu o artigo em dez minutos tão logo chegou à redação de “A Gazeta” depois de ficar duas horas e meia parado em um engarrafamento na Terceira Ponte por causa de uma tentativa de suicídio. No texto, Lopes descreve a reação das pessoas que, como ele, ficaram impedidas de passar na ponte.

Lopes confessa que não foi o melhor texto que fez na vida, “mas foi um desabafo”. “Foi um texto autoral, mais opinativo. A crônica dá mais liberdade ao autor para manifestar o seu pensamento. Foi o que fiz”, disse. Sobre os suicídios ocorridos na Terceira Ponte, Lopes revela que eles “não representam nem 10% dos suicídios que ocorrem no Espírito Santo” mas a ponte “tem uma simbologia muito forte”.

Disse o jornalista que a OMS, Organização Mundial de Saúde, orienta os jornalistas a como noticiar os casos de suicídio “mas mesmo assim o tema ainda é tabu nos jornais”. “Se for um caso isolado, não noticiamos”, informou. A notícia só é dada “quando o suicida é uma personalidade ou quando o suicídio é acompanhado por um assassinato”.

“O mundo da publicidade tem sido questionado”

Para a publicitária Elisa Quadros, a publicidade fala de “um mundo idealizado, onde tudo funciona, é bonito e as pessoas são felizes”. “Só vi um caso em que a publicidade tratou adequadamente o tema do suicídio: foi uma ação da Samsung em uma ponte na Coréia”, disse Quadros. Através da instalação de sensores de presença e painéis com mensagens positivas, a quantidade de suicídios foi reduzida.

Segundo ela, “de um tempo para cá o mundo idealizado da publicidade tem sido questionado”. As mensagens passaram a tratar de temas como cuidar das pessoas, e abraçar causas como o feminismo. A publicitária defende a associação de marcas com causas humanitárias como está sendo feito pela Avon ao tratar da diversidade de gênero. “A publicidade deve gerar comportamentos positivos”, afirmou, porque “o consumo não gera felicidade”. “Este é o caminho para a publicidade se redimir”, disse.

 

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