A trajetória do repórter Patrick Camporez Mação

Por Wellington Costa Gomes

 

Patrick Camporez Mação, 28 anos, natural de Vila Valério – Espirito Santo, é formado em Mestrando em Comunicação e Territorialidades pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Graduado em Jornalismo e em Ciências Sociais, com especialização em Docência do Ensino Superior, iniciou a sua carreira profissional na sucursal da Rede Gazeta de Linhares e teve a sua própria coluna – Dona Encrenca, que relatava o descaso das autoridades públicas com os bairros da Grande Vitória. Atualmente, Camporez é repórter das editorias de Cidades e Economia do jornal A Gazeta e reconhecido como jornalista investigativo dos mais premiados.

Em 2015 Patrick ganhou o 9º Prêmio Allianz Seguros de Jornalismo, na categoria Linguagem Escrita, tema Sustentabilidade – Mudanças Ambientais, com a série de reportagens Guerra pela Água, que ainda hoje ganha premiações.

A série de reportagens intitulada Rastro de morte e contaminação por agrotóxico, realizada em Vila Valério, relata, entre outras, a história do estudante Carlos Pinheiro, de 15 anos, que colocava uma bomba nas costas e caminhava até a propriedade de um vizinho para pulverizar lavouras. Carlos Pinheiro é uma das inúmeras vítimas do veneno. Depois de um dia intenso de trabalho, sem usar luvas e máscaras de proteção, o rapaz teve convulsões, desmaiou e não conseguiu voltar para a casa da sua mãe. Carlos morreu 10 dias depois.

Outra história contada por Camporez é a da senhora Maria Geralda do Campo que seguia pela BR 101 quando, na altura de Conceição da Barra, um avião que pulverizava uma plantação de feijão despejou várias rajadas de veneno em cima do carro onde ela estava com outras duas pessoas. Ela sofreu queimaduras, o rosto ficou desfigurado e o veneno no corpo a deixou em coma por dois dias. Essa matéria surgiu de exemplo para uma reportagem do programa “Profissão Repórter”, da TV Globo. Com essa e outras reportagens, Patrick acabou ganhando mais espaço no jornal e desde então começou a publicar matérias nas editorias de Cidades e Economia.

Com o êxito alcançado pelas suas primeiras reportagens, Patrick prosseguiu fazendo reportagens de investigação, como a Colheita de Café – Passos de Volta à escravidão. Nessa série de reportagens, Camporez, com base na NR35 – norma regulamentadora de segurança no trabalho, constatou a ocorrência de várias irregularidades no trabalho de colheita do café. Ele chegou a utilizar câmera escondida, comprou agrotóxico se passando como comprador, mas não chegou a utilizar esses dados na matéria.

A reportagem Campos sem Lei foi baseada na família que trabalhou por sete meses e, ao final, ainda devia R$ 6,5 mil ao armazém do patrão de onde comprava comida. Ou seja, a família, além dever esse valor, nada recebia de salário porque trabalhavam a troco de um pouco de comida, dormindo no chão de concreto frio em uma casa insalubre.

Vila de Orfãos e Viúvas é outra reportagem de Camporez que relata o sofrimento dos trabalhadores na extração de granito, um trabalho arriscado que resulta em um acidente por dia.

Na segunda edição do Prêmio MPT de Jornalismo, em 2015, Patrick venceu a fase regional concorrendo na categoria regional e jornalismo impresso, com a reportagem Colheita de Café, Passos de Volta à Escravidão.

Se basear no tempo, investigar os dados. Escrever a matéria com todos os dados prontos, saber hierarquizar, saber usar as técnicas e sempre ouvir as fontes”, ensinou Patrick Camporez aos alunos do 3º período de Jornalismo em palestra no último dia 18 de maio, na sala 102 da Estácio Vitória. Na ocasião, Patrick esteve acompanhado pela repórter de A Gazeta Katileine Chagas, sua colega de trabalho.

Patrick Camporez e Katileine Chagas na palestra aos alunos do 3º período de Jornalismo

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