Dia de comemoração da 12ª Semana de Comunicação da Faculdade Estácio Vitória“Corrupção – Não deixe cair no esquecimento” foi o tema da 12ª Semana de Comunicação realizada de 15 a 17 de maio na Estácio Vitória. Organizada pelos alunos da disciplina “Planejamento e Organização de Eventos”, a Semana contou com palestras no primeiro dia, oficinas no segundo e uma mesa redonda no encerramento.

Edmar Camata: “O Brasil é um rico país pobre”

Edmar Camata, especialista em gestão pública, foi o primeiro palestrante da noite de abertura da 12ª Semana de Comunicação. Ele falou sobre “A importância do acesso à informação no combate à corrupção”, tema do Movimento “#querotransparencia” de que faz parte. Para Camata, o Espírito Santo não é muito diferente do Rio de Janeiro quando se trata de situações de falta de transparência, tendo lembrado ocorrências no Tribunal de Contas e nos incentivos fiscais sigilosos do Governo do Estado. “Este é um momento em que se chocam ideias tradicionais com o novo”, já que a abertura das informações públicas “deixou de ser uma opção para ser uma obrigação”, disse para completar: “Oitenta por cento das Câmaras Municipais não atendem aos critérios de transparência exigidos pela lei”.

Camata citou como “o melhor projeto de transparência o ‘Serenata do amor’ em que um robô fiscaliza as cotas de gabinete do Congresso Nacional, transformando os dados disponíveis em informações úteis”. “O robô já identificou o pagamento de despesas de R$ 2 mil em um jantar, em Paris, realizadas de madrugada com dinheiro público”, disse. Para ele, “o Brasil é um rico país pobre onde as prioridades são confundidas”.

Camata, contudo, é otimista: “O Brasil começou a mudar há quatro ou cinco anos, quando o Supremo Tribunal proibiu a doação de pessoas jurídicas para as campanhas eleitorais”. “Mas ainda temos muito a avançar, pois estamos em 76º lugar no ranking da corrupção (entre 83 países) e a corrupção consome de 1 a 4% de tudo o que é produzido no país, ou seja, entre R$ 55 bilhões a R$ 220 bilhões por ano”, afirmou. “Hoje, o problema mais importante para os brasileiros é a corrupção”, disse ao citar pesquisa recente sobre o assunto.

Com relação ao desperdício de dinheiro público no Espirito Santo, Camata citou as “duzentas e cinquenta obras paradas, o não pagamento de multas ambientais (só 1% é pago, um prejuízo de R$ 14 bilhões) e a propina de 3% paga nas obras de construção da sede da Petrobras em Vitória”. Camata lembrou a importância do voto consciente nas eleições ao citar Einsten: “Insanidade é continuar fazendo a mesma coisa de esperar resultados diferentes”.

Jéssica Polese: “O povo sentiu a necessidade de resgatar valores”

A médica Jéssica Polese, participante de movimentos contra a corrupção, descreveu os registros que fez como autora do livro “Meu Brasil verde e amarelo”: “Penso que nós mudamos nestes últimos cinco anos, a partir das manifestações de 2013 quando as pessoas foram para as ruas manifestar o desejo de mudança”, disse ela para continuar: “A pauta política que surgiu na época foi o Patriotismo”. Naquela ocasião, para Polese, “o povo sentiu a necessidade de resgatar valores” se mobilizando através das redes sociais sem a participação de partidos políticos.

Polese, entretanto, reconheceu que em 2014, nas eleições, “nada mudou” e que o povo teve que voltar às ruas em 2015 e 2016 “vestido de verde e amarelo para exigir mudanças contra a corrupção e a má gestão”. Para ela, “se não houver combate à corrupção e à má gestão nunca vamos ter boas políticas públicas” e, por isso, “precisamos assumir a atitude de exigir mudanças na forma de governar”.

Bruno Brandão: “O Brasil acordou”

O professor de História Bruno Brandão foi o terceiro palestrante da noite de abertura da 12ª Semana de Comunicação. Ele participou da elaboração do livro “Meu Brasil verde e amarelo” e descreveu os três tipos de corrupção que há no Brasil: a sistêmica (“o compadrio dos poderes públicos com as empresas privadas, o presidencialismo de coalizão e a propinografia”), a endêmica (“quando o cidadão falsifica uma carteirinha, fura fila, apresenta um atestado falso ou dá propina para o guarda”) e a sindrômica (“que envolve vários órgãos do sistema”). Brandão sugeriu que a ética fosse ensinada e a política discutida nas escolas.

Para ele, o brasileiro está mais consciente “e hoje não é mais enganado, sabe se posicionar e, por isso, nas próximas eleições, saberemos em quem votar com consciência”. Ao finalizar conclamou os presentes a “estudarem os candidatos, sendo criteriosos porque o poder pertence ao povo; vamos, então, renovar”.

As oficinas e palestras do segundo dia

Na quarta-feira, dia 16, foram realizadas quatro oficinas no terceiro piso da faculdade: caricatura/ilustração (pelo cartunista Gilberto Zappa), jornalismo investigativo (pela jornalista Vilmara Fernandes), fotografia (pelo fotógrafo Rodrigo Gavini) e rádio e TV (pelo repórter Leandro Nossa) e três palestras com João Paulo Mateus (“Compliance”), Marcelo Bozi (“Fake News – credibilidade das fontes”) e Leonardo Picinati (“Planejamento e plano de marketing – fórum de inovação e tendências estratégicas de marketing”).

A mesa redonda do evento de encerramento

A Semana foi encerrada no dia 17 com uma mesa redonda, no auditório da faculdade, que contou com as participações de Antonio Carlos Leite (Kaká), diretor de jornalismo da Rede Capixaba e âncora do BandNews FM ES, do músico Cláudio Passamani e do professor Gustavo Peixoto, integrante do grupo “Política Ativa”.

Gustavo Peixoto, no debate, descreveu as manifestações de rua de 2013 como um grande momento cívico da sociedade brasileira “que nem os cientistas políticos entendiam”. Essas manifestações, segundo Peixoto, foram um grito popular “contra a corrupção que mata e faz faltar remédios para os doentes”. Ele admite que “saiu um personagem e entrou outro, mas as práticas [corruptas] continuaram as mesmas”. Por isso, “a divisão não deve ser entre direita x esquerda, coxinha x mortadela, mas de não corruptos x corruptos”. Ele considera que é indispensável “manter a prisão após o julgamento em 2ª instância, acabar com o foto privilegiado e renovar o Congresso”.

Passamani, por sua vez, acredita que “um futuro sem corrupção passa pela educação e pela ética porque temos que criar seres humanos melhores”. Ele criticou o marketing político “que não deve ser modificador da realidade”, ou seja, não deve divulgar o que não for real.

Antonio Carlos Leite considera o movimento anticorrupção “saudável para o país”. “Basta lembrar que o escândalo do presidente Collor e do tesoureiro PC Farias somaria, a valores de hoje, US$ 850 milhões, ou R$ 3,5 bilhões, o que é uma ‘caixinha’ se comparados aos roubos descobertos pela Lava Jato”. “Hoje há uma depuração histórica”, disse, mesmo admitindo que a corrupção não vai acabar e que, por isso, “a briga contra a corrupção tem que ser permanente”.

Atrações musicais e brindes

As atrações musicais da 12ª Semana ficaram a cargo de Dan Abranches (no dia 15) e da Banda Caixadá (no dia 17). No evento de encerramento houve um sorteio de brindes para os participantes.

Confira nossa galeria de fotos

Primeiro Dia de comemoração da 12ª Semana de Comunicação da Faculdade Estácio Vitória

Segundo Dia de comemoração da 12ª Semana de Comunicação da Faculdade Estácio Vitória

Terceiro Dia de comemoração da 12ª Semana de Comunicação da Faculdade Estácio Vitória

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