Música

O músico da “Família Lima” cantou e acrescentou o peculiar som do violino às canções dos Beatles. Para a Rede Interferência, o pai do Theo compartilhou a experiência de participar do Rock In Rio e do programa global “Tamanho Família” dentre outras curiosidades

 

Por Renatto Manga

Foto: Matheus Soares

Lucas Lima acrescentando ao Clube Big Beatles o som do violino que o projetou mundialmente

 

Lucas Lima deixou seu pai, irmãos e primo para se unir, na noite do dia 26 de outubro, aos meninos do Clube Big Beatles. O grupo, há 27 anos, com muita competência leva o som do quarteto britânico a eventos de pequeno e grande portes, dentro e fora do Estado do Espírito Santo, e também fora do Brasil, como a presença anual do grupo no Festival dos Beatles (International Beatle Week) na cidade de Liverpool, Inglaterra.

O músico, natural de Porto Alegre, foi o penúltimo convidado do projeto “Sócio de Carteirinha”, que há nove anos ininterruptos ganha destaque na agenda do Clube Big Beatles. Este evento tem como característica a participação de um nome relevante no cenário da música brasileira. Lucas Lima, por sinal, já se apresentou no projeto em 2011 e, como poucos, recebeu mais uma vez o convite e agradou. Prova disso foi a ocupação dos setores A e B do teatro que ficaram totalmente lotado.

O evento, como já é tradição, teve início com o Clube Big Beatles fazendo o que há quase três décadas se propõe a fazer: tocar Beatles acrescentando, respeitosamente, elementos da música brasileira. A banda ganhou o palco com “Lucy in the Sky with Diamonds”, que integra o oitavo álbum (Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band) dos Beatles; e seguiu cantando “I need you” e “Oh Darling”. Os “Beatlemaníacos” (como o cantor Supla caracterizou os fãs dos Beatles) se impressionaram com o instrumental da canção do filme “Across The Universe” – longa que retrata os anos 1960, ambientando toda uma época através da obra dos Beatles.

Os músicos capixabas não deixaram de surpreender, engatando uma sequência de composições de Paul McCartney. Guto Ferrari, baterista e vocal do Clube Big Beatles, agradou a todos ao interpretar “The Long and Winding Road”, canção que curiosamente foi escrita por Paul McCartney e creditada a John Lennon. Seguiram cantando “Yesterday” e “My Love” e ainda presentearam o público com “Love Me Do”, “I Saw her Standing” dentre outras.
Foto: Matheus Soares

Lucas Lima pela segunda vez junto com o Clube Big Beatles no projeto “Sócio de Carteirinha”

Extremamente empolgado com o que já havia ocorrido com a participação do convidado da noite há 6 anos e com os ensaios que decorreu durante a tarde do mesmo dia da apresentação, Edu Henning (líder do grupo) não poupou elogios ao músico Lucas Lima, ao descrevê-lo ao público. Assim, o integrante da Família Lima foi recebido no palco do Teatro da UFES e ovacionado pela platéia.

O filho de José Carlos Lima (líder da Família Lima), após agradecer o novo convite, tocou e cantou “Back In The U.S.S.R”, canção que foi lançada em 1968 e integra o “Álbum Branco”; e seguiu mostrando para o quê veio, tocando e cantando “Maxwell’s Silver Hammer”, “Mother Nature’s Sun” e “My Valentine”.

Já nas canções “I am The Walrus”, “Elenor Rigby” e “Live and Let Die”, Lucas Lima apenas mostrou seu talento como violonista, tocando impecavelmente o instrumento que o projetou mundialmente.

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Por fim, depois de uma participação marcada pelo bom humor do convidado, o Clube Big Beatles novamente tomou o vocal e fechou a noite com “Come Together”, juntamente com o som especial das cordas do violino de Lucas Lima.

Dentre os presentes no evento se destacava a cantora Flávia Mendonça, esposa de Junior Curcio, integrante do Clube Big Beatles. Outro destaque foi a presença da empresária e CEO do Grupo Buaiz, Eduarda Buaiz, acompanhada da família que, de tempo em tempo, ovacionava o convidado, deixando explícita a admiração pelo trabalho do artista. Indagada pela Rede Interferência sobre a noite, Eduarda declarou: “Fui assistir ao Clube Big Beatles com meu marido Claudio e meus filhos Arthur (4) e Felipe (9). Foi uma noite decididamente agradável pois, além do talento incontestável do Big Beatles, o qual já assisti outras vezes, contamos com o talento de Lucas Lima dando um  charme especial à noite. Meus filhos, que adoram os Beatles, ficaram encantados e eu e meu marido nos divertimos muito. Definitivamente, foi uma noite mais que especial.

Na participação do multi-instrumentista Lucas Lima no projeto, chamou a atenção a presença dos presidentes do Fã Clube da Sandy, esposa do convidado, do professor Thiago William e do publicitário Luís Guilherme Monteiro que atentamente curtiram cada momento da noite.

ENTREVISTA À REDE INTERFERÊNCIA

Durante a tarde, Lucas Lima subiu ao mesmo palco para a passagem de som juntamente com o Clube Big Beatles. Todos os pequenos detalhes foram pontuados para que o resultado obtido durante a noite fosse impecável.

Foto: Produção Clube Big Beatles

Lucas Lima e o acadêmico em jornalismo Renatto Manga num divertido bate-papo

Em meio a sua rápida passagem pelo Estado, Lucas Lima recebeu em seu camarim o acadêmico em jornalismo e representante da Rede Interferência no evento, Renatto Manga, para uma entrevista em que o músico compartilhou comentários sobre a sua participação, pela segunda vez, no projeto “Sócio de Carteirinha” e a apresentação da “Família Lima” no “Rock In Rio”. Falou também do extinto projeto paralelo “Rock in Vitro”, do desempenho no programa global “Tamanho Família” e de um dos seus maiores desafios: ser pai.

Confira na íntegra todos os detalhes desse descontraído bate-papo:

 

Sua primeira apresentação “Sócio de Carteirinha” do Clube Big Beatles ocorreu em 2011, exatamente há seis anos. Como foi para você receber o convite novamente?

– Conheço o Edu há muito tempo, já estivemos juntos em vários eventos. Quando ele me ligou convidando, fiquei ultra feliz. Tocar Beatles, a gente toca, porém não é uma coisa que fazemos sempre. Não somente como músico, mas também como produtor, acabamos entrando muito em contato com a obra deles (Beatles), como referência até. Então, para mim, está sendo uma felicidade e tanta. É uma baita oportunidade de voltar a Vitória, que é um lugar que eu adoro, e poder tocar novamente com o Clube Big Beatles, que é uma banda renomadíssima no mundo inteiro. É uma banda que homenageia brilhantemente os Beatles. Adorei o primeiro convite e estava tentando me convidar novamente, forçando até um novo convite (risos), e aí rolou. O Edu Henning me ligou e eu, claro, disse: ‘Pô mano, agora! É só marcar a data que estarei aí! Eu canto, porém o mais legal é que eu trago o violino para várias canções, que é uma coisa que eles (Clube Big Beatles) não fazem sempre. E o violino está muito presente nas obras do Beatles, obviamente mais em músicas como “Eleanor Rigby” e menos em músicas como “I am the walrus” que tem um arranjo totalmente diferente. Será muito legal misturar tudo isso novamente com a música clássica que, na verdade, eles já misturavam desde sempre.

No último mês de setembro, você, juntamente com a “Família Lima”, subiu ao palco Sunset do Rock in Rio a convite da Banda Sepultura. Como foi a experiência de unir o clássico ao rock?

– Foi um convite bem inesperado. Não era algo que nós estávamos preparados para fazer, mas foi muito legal. Já conhecíamos o Andreas Kisser há muitos anos, ele é um amigo. Ele participou do DVD “Família Lima 20 anos” e foi muito legal. O seu último disco, o “Machine Messiah”, tem muitas cordas e contou com a participação da Myriad Orquestra (Tunísia) o que resultou num som muito louco. Por isso, ele teve a ideia de reproduzir esse som no Rock In Rio. Falou com a gente e, claro, topamos na hora. E isso acabou crescendo e trazendo a ideia para outras músicas. Rolou até com o meu irmão Amon e com o Renato Zanuto um arranjo de cordas para “Phanton Self” e, cara, deu muito certo. Para nós foi algo surreal tocar no Rock In Rio na noite mais Rock’n Roll de todo o festival deste ano. A mistura da música clássica com o Rock não é uma novidade para nós, é algo que já realizamos. Eu, por exemplo, já escrevi cordas para muitas bandas de rock como “Scalene“, “Angra“, “Fresno” e até participamos do DVD do Angra. É uma coisa que gostamos de fazer. Tá certo que o Sepultura é um outro nível em termos de peso, de rock.

Foto: Marcos Serra Lima
Participação da Família Lima no Rock In Rio a convite da Banda Sepultura

 

Você já subiu em diversos palcos durante a vida. Qual é a sensação de cantar num evento de prestígio internacional como é o Rock in Rio?

– Cara, é muito legal! Mas, em termos de “esse palco” ou “aquele palco“, não muda absolutamente nada para mim. Em questão de ansiedade ou nervosismo, o que me deixa ansioso e, até mesmo, nervoso é não estar preparado. Quando não consigo estudar direito, há uma dúvida no arranjo, aí sim, pode ser o menor palco do mundo que eu fico nervoso. O palco em si nunca me deixa nervoso. Porém, é muito legal aquele monte de gente maluca, pulando que nem louca e aquela banda sensacional junto com a gente ali, é só trilegal.

Falando em rock, paralelamente à “Família Lima”, você, seu irmão Moisés e os amigos Igor Willcox e Maurício Caruso já desenvolveram trabalhos com a Banda Rock in Vitro. Fale mais sobre esse projeto.

– Já faz um bom tempo que paramos há quase dez anos. Era uma diversão que a gente fazia para tocarmos um repertório mais distante do que tocávamos na “Família Lima“. Pegávamos o Rock’n Roll dos anos 1990 e 2000, que é o que mais curtimos. Mas quando o som da “Família Lima” foi evoluindo com mais guitarras e outros instrumentos, essa minha carência foi sendo suprida pela própria banda, assim acabamos não fazendo mais. O “Rock In vitro” foi sempre e unicamente diversão, tocando em barzinhos somente para fazer festa mesmo.

Nas duas primeiras temporadas do “Tamanho Família”, a “Família Lima” foi a responsável pelo repertório e, digamos, por uma espécie de consultoria do apresentador Márcio Garcia. Como foi a experiência em participar do programa?

– Foi uma baita experiência para nós participar do “Tamanho Família”, assim como foi o Rock In Rio. O programa é uma daquelas coisas que, eu digo, não é exatamente a realização de um sonho, pois nunca sonhei tão grande, algo tão legal na vida. Foi muito incrível! Todo o programa é sensacional, o Márcio Garcia é um cara incrível, a equipe é algo inacreditável. Pra gente é quase uma faculdade de como se portar, de como ser profissional e de como trabalhar com pessoas daquele nível. É muito louco para nós, que viemos da música – e o mercado da música no Brasil é um pouco amador – e lá os caras são mega, ultra profissionais. Então, você tem que mudar a sua maneira de pensar, a maneira de se organizar como banda e até mesmo como empresa.

A terceira temporada está confirmada?

– A terceira temporada vai rolar sim, porém ainda não recebemos o convite. Mas espero que nos chamem novamente, pois amamos fazer. É muito trabalho. Na última temporada, por exemplo, foram 117 músicas que tivemos que tirar dentro de um mês. É loucura, mas é muito legal, tocando uma música atrás da outra, músicas que nunca imaginávamos tocar na vida. Espero que role o convite e que esse programa fique no ar por muitas temporadas, pois amamos fazê-lo.

Na última temporada do programa “Tamanho Família”, você homenageou sua esposa Sandy, cantando “Meu guri”, composta por você em homenagem a ela e seu filho Theo. Como nasceu a canção que emocionou o grande público do programa?

– A música “Meu guri” foi o primeiro presente do dia das mães que eu dei para ela, quando ela ainda estava grávida. A ideia era nunca lançar essa canção, pois escrevi de maneira simples, tem até erro de português, pois eu queria que fosse de uma maneira mais coloquial, mais real, eu falando realmente com ela e com ele. Quando chamaram a Sandy para participar do programa – e existe o quadro em homenagem familiar ao artista –, eu disse que teríamos que fazer algo muito especial. Eu sei que ela é super durona e eu sabia que a única maneira de emocioná-la seria com algo relacionado ao nosso filho. E como nós não gostamos de expor a imagem dele, eu imaginei que somente com essa canção a gente conseguiria “derrubá-la”. Aí, dividimos, e cantamos eu, meu sogro (Xororó) e minha sogra (Noely). Deu certo, ela desabou! Depois, como já foi amplamente divulgado no programa, colocamos a música no DVD “Família Lima – Natal em Casa“. O pessoal andou questionando por que ela não apareceu nessa música. A Sandy não apareceu, pois era tarde e ela tinha levado o Theo para dormir umas três canções antes. Ele estava super cansadinho, tadinho! Essa canção até hoje é complicada para eu cantar, dá uma enrolada, pois é muito real, é muita verdade.

“Temos que nos tornar cada vez mais uma pessoa melhor,
para que ele veja isso e tenha como exemplo 
a busca de ser melhor, não o melhor.
Ser o melhor que ele pode ser.” 

 Lucas Lima

Ser pai é algo que modifica a maneira como o homem vê e interage com o mundo. Após a chegada do Theo, houve alguma mudança na sua maneira de se relacionar com a música?

– De tratar a música, não especificamente. Veio a reorganização de prioridades. Todas as minhas decisões agora são pautadas para o bem estar dele e, depois, o que se pode fazer com a carreira; as decisões relacionadas pesam mais pensando nele, sabe? Não é só o quanto tempo vou poder passar com ele ou o quanto isso vai render para garantir uma vida confortável para ele. Então, muda bastante sim, mas a produção artística em si, não. Temos que nos tornar cada vez mais uma pessoa melhor, para que ele veja isso e tenha como exemplo a busca de ser melhor, não o melhor. Ser o melhor que ele pode ser.

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