Televisão

A artista, de 73 anos, utilizou um momento da coletiva de imprensa do 24º Festival de Cinema de Vitória para esclarecer o que a imprensa vem divulgando a respeito do seu novo papel em “O Outro lado do Paraíso”

Foto: Renatto Manga

Zezé Motta e Paulo Gois Bastos na coletiva da 24ª edição do Festival de Cinema de Vitória

A nova novela da Rede Globo, “O Outro lado do Paraíso” (Walcyr Carrasco), sucessora de “A Força do Querer” (Glória Perez), nem mesmo estreou e já é notícia em portais especializados. No entanto, não vem sendo vinculado ao certo o verdadeiro papel que Zezé Motta interpretará no folhetim das 21, que estreia no próximo dia 23 de outubro.

Os diversos portais destacam, por exemplo: “APÓS ‘OURO VERDE’, ZEZÉ MOTTA SERÁ MÃE DE SANTO EM ‘O OUTRO LADO DO PARAÍSO’”, o que levou Zezé usar um momento da coletiva de imprensa de um dos principais festivais de cinema do Brasil na sua 24ª edição, o Festival de Cinema de Vitória, para esclarecer tais manchetes.

Na ocasião, a atriz discursou: “Vinícius (assessor de Zezé / Staff Company), temos que realizar a correção do que vem sendo vinculado na mídia, que eu vou viver uma Mãe de Santo na novela do Walcyr Carrasco. Na verdade, eu vou viver uma Quilombo.

Zezé Motta conhece bem a realidade vivida pelos Quilombos bem antes de ganhar a personagem e compartilhou: “Estou muito feliz em ter esse núcleo falando dos Quilombos. Ontem mesmo falei com o diretor da novela, Mauro Mendonça Filho, que existem no mínimo três mil Quilombos no Brasil. Alarmado, ele disse: ‘É sério?’. Os Quilombos são marginalizados, são formados por pessoas muito sofridas. Eu visitei muitos Quilombos quando estava trabalhando com Direitos Humanos. Fui concebida no cargo no Governo FHC e depois também trabalhei na Secretaria de Diretos Humanos do Rio de Janeiro. Na época, com Benedita da Silva. Assim, constatei que eles são invisíveis para a sociedade e a maioria deles não tem saneamento básico, neles não há médicos e nem escolas. Na novela ‘O Outro lado do Paraíso’ vamos tratar de tudo isso”.

No folhetim, Mãe Quilombo (Zezé Motta) é líder de uma comunidade carente do município de Pedra Santa, localizada no acesso ao Parque Estadual do Jalapão, no Tocantins. Índios e negros descendentes de escravos africanos povoam Mumbuca – como é conhecida Pedra Santa na novela – que é o Quilombo que ganhará fortes emoções durante a trama.

A fim de oferecer condições dignas de vida para a tribo de Mumbuca, Mãe Quilombo recebe ajuda filantrópica do médico Renato (Rafael Cardoso) e da professora Clara (Bianca Bin). As condições de vida do Quilombo não são nada fáceis, o que leva Raquel (Erika Januza) a se mudar para a capital do Estado, Palmas, com um único objetivo: estudar.

 

Caderno em Homenagem a Zezé Motta

Foto: Renatto Manga

Zezé Motta ganha às páginas da edição 17 do Caderno Homenagem do Festival de Cinema de Vitória

Com 50 filmes, 40 produções para a televisão e 13 discos no currículo, Zezé Motta foi a 17ª Homenageada pelo Festival de Cinema de Vitória com um caderno contendo a toda sua trajetória com textos de Aline Dias, Carolina Ruas, Leonardo Vais e Miguel Filho, entrevista por Paulo Goes, Projeto Editorial de Lucia Caus e Projeto Gráfico de Paulo Prot.

Maria José Motta de Oliveira nasceu em Campos dos Goytacazes, no Norte do Rio de Janeiro. Aos dois anos de idade, mudou-se com a família para a capital, onde frequentou a tradicional escola de teatro Tablado.

O primeiro passo na carreira artística não poderia ser mais marcante: aos 23 anos, em janeiro de 1968, integrou o coro do musical “Roda-Viva”, primeira incursão de Chico Buarque na dramaturgia, com direção de José Celso Martinez Correa, espetáculo que entrou para a história como um símbolo da resistência contra a ditadura.

No cinema, começou em 1970 com o drama “Cléo e Daniel”, de Roberto Freire. Depois, Zezé não parou mais. Esteve no elenco de clássicos do cinema nacional como “Vai Trabalhar, Vagabundo!”, de Hugo Carvana, vencedor de várias premiações; “Rainha Diaba” (1974), de Antonio Carlos da Fontoura, livremente inspirado na vida do traficante carioca João Francisco dos Santos, conhecido Madame Satã.

Em 1976, protagonizou o longa “Xica da Silva”, ao lado de Walmor Chagas, papel que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado. O filme também saiu com os troféus de Melhor Filme e Melhor Diretor do festival. Vinte anos depois, Zezé Motta voltou a atuar na trama histórica sobre a escrava Francisca da Silva de Oliveira, desta vez na TV, na novela de Walcyr Carrasco que teve o mesmo nome do filme, produzida para a extinta Manchete, em que viveu a mãe de Xica e a protagonista já idosa.

Na televisão, Zezé Motta provou toda a sua versatilidade desde a sua primeira experiência na TV, em “Beto Rockfeller” (1968). De lá para cá vieram papéis em “Duas Vidas” (1976), “Corpo a Corpo” (1984), “Kananga do Japão” (1989), “A Próxima Vítima” (1995), “Corpo Dourado” (1998), “Sinhá Moça” (2006) e “Boogie Oogie” (2014). Entre as minisséries os destaques vão para “Memorial de Maria Moura” (1994), “Chiquinha Gonzaga” (1999), “Cinquentinha” (2009) e “O Canto da Sereia” (2013).

Nos anos 1970, Zezé Motta também deu início à carreira de cantora, primeiramente apresentando-se como crooner em casas noturnas paulistas. Ao longo dessa década, lançou três discos, estreando com o LP “Gerson Conrad e Zezé Motta” (1975), seguido de “Zezé Motta” (1978) e “Negritude” (1979). A trajetória musical teve continuidade com os álbuns “Dengo” (1980), “Frágil Força” (1985), “Quarteto Negro” (1987) – lançado ao lado de Paulo Moura, Djalma Correia e Jorge Degas –,”Chave dos Segredos” (1995), “Divina Saudade” (2000) e “Negra Melodia” (2011).

Como cantora, tem também o DVD “La Femme Enchentée” (1987) na bagagem, além de shows no Carnegie Hall, em Nova York (EUA), e em países como Alemanha, França, Venezuela, México, Chile, Argentina, Angola e Portugal, representando o Brasil a convite do Itamaraty.

 Equipe Rede Interferência na coletiva

Foto: Patricia Follador

Acadêmico em jornalismo, representando a Rede Interferência na coletiva

Na coletiva, que ocorreu no Hotel Ilha do Boi, em Vitória, nossa equipe marcou presença, representada pelo acadêmico em jornalismo Renatto Manga. Na ocasião, aproveitando que Zezé Motta tem no currículo as diversas lutas pela igualdade de direitos, nossa pauta contava com a seguinte pergunta: a proposta de criminalizar o Funk (SUG 17/2017) hoje tramita no Senado depois de alcançar mais de 22 mil assinaturas que classifica o mesmo como “falsa cultura”. Qual sua opinião a respeito dessa sugestão de projeto de lei?

A pergunta foi feita a ela durante a coletiva, pela equipe Rede Interferência – portal dos cursos da área de Comunicação da Estácio Vitória na internet. Assustada com a proposta, já que ela não estava ciente do assunto, sua reação foi de perplexidade: “Ridículo! Eu não tinha essa informação. Estava nos últimos dias totalmente evolvida com a causa da Amazônia, uma campanha que Paula Lavigne e Caetano Veloso vêm idealizando. Temos nos encontrado muito. Ontem, por exemplo, eu teria que ter ido a Brasília levar 1.500 assinaturas em defesa do nosso bem maior, a Amazônia. Mas essa, eu não sabia. Que loucura! É uma loucura parar o Senado para discutir o ritmo Funk. Mas, já que estão querendo criminalizar, é preciso fazer alguma coisa pelos artista do gênero”, disse.

Por Renatto Manga

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