Por Renatto Manga

Diva Black

Convidada especial do aniversário de 20 anos da banda capixaba Black Sete, Vanessa Jackson recebeu a equipe da Rede Interferência para um bate-papo e compartilhou diversos momentos da sua carreira, inclusive suas atuações em musicais

Foto: Willian Ferraz

Vanessa Jackson no palco do Clube ARCI, em Vila Velha, no aniversário de 20 anos da banda Black Sete

 

No final do ano passado – mais especificamente no dia 9 de dezembro -, a banda capixaba Black Sete comemorou 20 anos de estrada com o que há de melhor na música dos anos 1980 e 1990, sem perder a pegada disco-music, que é a identidade da banda.

O grupo formado por Peujor (vocal), Idalina Dornelas (vocal), Moisés Madalom (guitarra / backing vocal), Beto Balla (bateria / backing vocal), Márcio Vianna (vocal), Kako Tovar (teclados) e Juninho Groove (baixo / backing vocal) convidou uma das mais potentes vozes do Brasil, Vanessa Jackson, para abrilhantar a festa de duas décadas do grupo.

No público, todas as tribos e idades – casais, solteiros, brancos, negros, homens, mulheres, héteros e gays – com o mesmo objetivo: prestigiar a banda que evidencia a cultura através da música, cantando Rihanna, passando por Bruno Mars à Madonna.

Como cenário da festa, o clube mais tradicional do Estado: ARCI, com 54 anos de história e um público leal. O resultado desse encontro foi a casa lotada com direito a bolo personalizado e o convencional “Parabéns”.

Entrevista

Antes de subir ao palco, pouco depois da meia-noite, Vanessa Jackson recebeu no camarim do Clube ARCI o acadêmico em jornalismo, Renatto Manga.

Na oportunidade, a campeã do Reality Show Fama, da Rede Globo, transmitido em 2002, realizou um verdadeiro passeio pelos últimos 15 anos da sua carreira. Falou da produção do seu primeiro álbum, prêmio por ser a vencedora do Reality; das viagens internacionais na divulgação do projeto, e de suas apresentações mensais no boêmio Bar Brahma, em São Paulo. Dentre outros assuntos, Vanessa Jackson falou também sobre sua volta à tela da Rede Globo após 12 anos.

Confira na íntegra um balanço da carreira de Vanessa Jackson:

Foto: Maria Felicidade
Vanessa Jackson sendo entrevistada pelo acadêmico Renatto Manga para a Rede Interferência

 Você já conhecia o Espírito Santo?

– Sim! Eu já conhecia Vitória. Amo esse lugar! Realizei diversos shows aqui a convite do Wesley Sathler, um querido, meu amigo pessoal. Cantei em várias festas dele e até no Inverno VIP em Pedra Azul, Domingos Martins. Lembro também que, logo depois que eu saí do Fama em 2002, realizamos um show para a Prefeitura de Vila Velha na praia. Como era o auge, os fãs rasgaram as nossas roupas. Foi muito divertido aquilo (risos).

Quem era Vanessa Jackson antes do Reality Fama?

– A mesma! Só que hoje, após 15 anos, sou mãe de três crianças maravilhosas. Consegui adquirir, no decorrer de todos esses anos, amadurecimento profissional e até mesmo como mulher. Porém, continuo a mesma, muito brincalhona e amando cantar, pois quando entrei no Fama eu já tinha 8 anos de palco e nunca mais parei de cantar. Se alguma coisa mudou, foi o reconhecimento maior do público após o reality.

Foto: arquivo Globo

Vanessa Jackson e os demais participantes da primeira temporada do Reality Show Fama em 2002
 

Em 2002, após vencer o Reality Fama com mais de 18 milhões de votos, você gravou em Los Angeles seu primeiro álbum através do contrato que ganhou com a Som Livre. Como foi o processo de produção? Você teve a liberdade de ser você?

– Não! Eu não tive como escolher e nem como participar do repertório. Eram muitas pessoas opinando. O disco ficou muito bonito, porém cada música tem a sua particularidade. Não se pode olhar o CD como um todo, pois ele virou uma salada de vários estilos pelo fato de eu não poder opinar e ter que gravar algumas coisas que eu não queria na época. Mas esse foi meu “primeiro filho” e amo esse álbum. Eu gravei dois CDs até hoje, pois sou muito preguiçosa para gravar (risos). Estou ensaiando há três anos para gravar um novo EP e já tenho um CD prontinho com músicas que compus e também outras de autoria de amigos. Uma hora eu vou parar e conseguir finalizar esse novo projeto. Voltando a falar do primeiro CD, foi um momento muito especial por ser o primeiro e gravado num lugar que eu sonhava conhecer, Los Angeles. E ainda fui com meu pai, meu herói, meu maior ídolo. Foi memorável e gratificante. 

“Muito diferente do Brasil. O respeito lá fora é muito maior.”

Vanessa Jackson

 

Após a positiva exposição na televisão aberta, através da maior emissora no Brasil, a Globo, você se apresentou em diversos países como Japão, Angola e Uruguai. Como foi para você desfrutar dessas oportunidades?

– Foi muito gostoso! Ir para fora do país e ver as pessoas me recebendo tão bem, me tratando como diva mesmo, sabe? Muito diferente do Brasil. O respeito lá fora (no exterior) é muito maior. Então, sempre que vou para fora, eu adoro. Dialogar com as pessoas, conhecer novas culturas e cantar para eles é mágico. Eu simplesmente adoro!

 


 

Você se apresenta mensalmente no Bar Brahma, localizado na famosa esquina da Ipiranga com a São João, em São Paulo. “Alguma coisa acontece” também no seu coração ao cantar ali (risos)?

– Acontece e muito (risos). Quando comecei a cantar no Bar Brahma, meu filho tinha sete meses; hoje ele tem dez anos e canta comigo lá mensalmente. É engraçado e muito gostoso. Sempre que eu chego ali, passa um filme na minha cabeça. O Bar Brahma se tornou muito especial para mim.

Conte um pouco para a Rede Interferência da experiência de ser dirigida por Wolf Mayer em 2008 no Musical “Rock Show”.

– Rock Show foi maravilhoso. Agora, em 2018, vai voltar e espero participar mais uma vez. Esse musical foi uma das coisas mais lindas que eu fiz na minha vida. Na verdade, eu fui dirigida pelo Hudson Glauber, pupilo do Wolf Mayer, que supervisionou o trabalho do meu querido amigo Glauber que foi brilhante. Já faz nove anos esse musical, e agora ele volta ainda melhor. Ainda contará com a direção de Hudson.

Foto: divulgação

Vanessa Jackson protagonizou o maior show da América Latina em homenagem a Whitney Houston
Até o último mês de novembro você protagonizou o musical “Uma Saudação a Whitney Houston”. Como foi interpretar uma das vozes mais aclamadas do mundo?

– É uma responsabilidade muito grande. Eu já cantava as músicas de Whitney Houston pois, desde os 12 anos, eu canto na noite e por influência da minha mãe que pedia as músicas da Whitney Houston. Por isso, já conhecia muito da história dela e passei a conhecer ainda mais através desse trabalho. Ficar um ano nesse musical foi esplêndido. A equipe é muito bacana e super tranquila de se trabalhar. O idealizador do projeto, o Rafael Mello, que teve essa brilhante ideia, foi incrível comigo. Eu saí devido a outros projetos e agora quem vem realizando um lindo trabalho lá é a Mylena Jardim, ganhadora do The Voice 2016, uma cantora excepcional. Vida longa ao projeto! Eu sempre afirmo: quanto mais pessoas saudarem através de tributos e musicais Whitney Houston, Michael Jackson e Elvis Presley, por exemplo, a gente não permitirá deixar essas lendas e suas obras morrerem.

Ainda falando em musical, em julho você estreou o musical “Black Divas”, no Shopping JK Iguatemi (Teatro Santander). Como foi viajar no tempo, desde os anos 1950 até os dias atuais cantando de Aretha Franklin a Beyoncé?

– Eu nunca tinha pensado nesse projeto de forma particular. Mas quando o Bruno Sorrentino, juntamente com o Ricardo Rangel, teve essa ideia de fazer um musical com as divas pretas mais importantes do mundo, selecionando os grandes clássicos da Billboard de 1950 a 2010, eu achei fenomenal. Para piorar, a responsabilidade foi ainda maior que interpretar somente Whitney Houston. Poderiam escalar uma outra cantora para ajudar (risos). Cantar todas elas juntas num só musical foi muito trabalhoso e necessitei de um laboratório ainda maior. De verdade, a noite do dia 12 de junho foi marcante. Eu nunca, na vida, tinha passado por tanto nervosismo ao me apresentar. Nunca a minha boca tinha ficado seca em mais de mil shows que já realizei. Mas naquele dia eu literalmente tremi na base (risos).

 

Foto: GShow
Vanessa Jackson no palco do “Domingão do Faustão” interpretando Whitney Houston
 

Depois de quatorze anos, no fim de 2016, você voltou à tela da Globo para interpretar “I Will Always Love You” de Whitney Houston.  Apresentar-se no programa “Domingão do Faustão”, maior audiência do domingo na televisão brasileira, de certa forma foi voltar à emissora que projetou você. Como foi viver isso? 

– O engraçado é que fiquei doze anos sem entrar na Globo e depois de todo esse tempo, a convite do próprio Faustão, eu voltei pela porta da frente, de cabeça erguida e muito feliz. Foi muito gratificante voltar ao palco em que eu cantei pela primeira vez para o mundo quando eu tinha apenas dezoito anos, dois anos antes do Fama. O Faustão tem um carinho muito grande por mim e isto é recíproco, eu também tenho por ele. Depois de cinco meses, o “Fausto” me chamou para fazer o piloto do quadro “Show dos Famosos”, que o Ícaro Silva ganhou. Eu fiz o piloto para eles, pois eu ganhei esse mesmo quadro, que era um programa do SBT, o “Esse Artista sou eu”. Depois a Globo comprou o formato e realizou esse quadro no Faustão.

 

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